Paraná destaca avanço da educação indígena com criação da Universidade Federal Indígena 29/05/2026 - 16:45
A criação da Universidade Federal Indígena (Unind), sancionada pelo Governo Federal nesta quinta-feira (28), representa um avanço para a valorização dos povos originários em todo o País e reforça iniciativas já desenvolvidas no Paraná voltadas à promoção da educação, da inclusão e da preservação cultural indígena.
Instituída pela Lei nº 15.418/2026, a nova universidade será vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e poderá atuar de forma multicêntrica em diferentes regiões do Brasil, considerando as especificidades territoriais, culturais e linguísticas dos povos indígenas.
A proposta prevê atuação no ensino superior, pesquisa e extensão universitária, promovendo a produção de conhecimento científico em diálogo com os saberes tradicionais indígenas. Entre os objetivos da instituição estão o valorização cultural, a valorização das línguas indígenas, a sustentabilidade dos territórios e a formação acadêmica voltada às realidades dos povos originários.
Para a secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Mariana Neris, a criação da universidade representa um marco histórico para o fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos indígenas.
“A criação da Universidade Federal Indígena simboliza o reconhecimento da importância dos saberes tradicionais, da diversidade cultural e do direito dos povos indígenas a uma educação construída a partir de suas realidades e identidades. É um avanço significativo para a inclusão, para a preservação cultural e para a formação de novas lideranças indígenas”, afirmou.
Ela destacou ainda que o Paraná vem ampliando ações voltadas à promoção da igualdade racial e ao ampliação de direitos indígenas por meio de políticas públicas intersetoriais.
A diretora de Igualdade Racial, Povos e Comunidades Tradicionais da Semipi, Ivânia Ramos, ressaltou que a criação da instituição representa um avanço na democratização do acesso ao ensino superior para os povos indígenas.
“É uma conquista histórica construída a partir da luta dos próprios povos indígenas. A universidade permitirá que os estudantes tenham acesso a uma formação conectada às suas culturas, línguas e territórios, fortalecendo tanto a permanência acadêmica quanto a preservação dos conhecimentos tradicionais”, afirmou.
Segundo Ivânia, o Paraná tem atuado para fortalecer espaços de participação, garantir direitos e ampliar oportunidades para os povos originários. Ela destacou que a nova universidade dialoga diretamente com esse compromisso de promover dignidade, pertencimento e valorização cultural.
CARGOS - A legislação também determina que os cargos de reitor e vice-reitor da Unind sejam ocupados obrigatoriamente por docentes indígenas, garantindo participação direta dos povos originários na gestão da instituição.
INÍCIO DO FUNCIONAMENTO - A Unind deverá iniciar as atividades acadêmicas em 2027, segundo previsão do governo federal. A instituição terá sede em Brasília e poderá atuar em diferentes regiões do País, em modelo multicêntrico voltado às especificidades dos povos indígenas brasileiros. Nos primeiros quatro anos de funcionamento, a expectativa é de que a universidade atenda cerca de 2,8 mil estudantes e oferte inicialmente dez cursos de graduação.
VESTIBULAR - O Paraná foi pioneiro na criação de um vestibular específico para indígenas ingressarem nas universidades estaduais. Em 2025, o Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná reuniu cerca de 600 candidatos de diferentes etnias e regiões do Estado, consolidando a iniciativa como uma importante política pública de inclusão educacional voltada aos povos originários.
Além do ingresso, o Estado também desenvolve ações de permanência acadêmica por meio da Comissão Universidade para os Povos Indígenas (Cuia), que acompanha estudantes indígenas nas instituições estaduais de ensino superior e atua no fortalecimento de políticas de apoio, pertencimento e valorização cultural dentro do ambiente universitário.






